campo mítico

por avoiemanja

Escrever é doar-se de uma maneira urgente, arriscada e marcada pela pelo medo da rigidez do mundo. O que pode me dar a fluidez dos que estão a espera do novo, não do consumo rápido e e descartável, mas do inusitado. Refiro-me a ser absorvido pela força do ser em mim, apagando devagar o ego e tudo aqui que em si traz de desejo de aceitação, ansiedades e auto-engano. Quero e fluidez da água, do seu incorporar em tudo, sem deixar de ser o que é, fluidez, força e gestação. Processo e ciclo.

Esta pesquisa talvez inaugure essa necessidade de fluidez, primeiro de pensamento e paulatinamente se configura em doar-se via escrita, via processo criativo, via troca com pessoas que querem tal fluidez, ingressantes e imersos.

Usar a linguagem da água é estar em casa com os seres do elemento, como elemento.

A água é o lugar de construção do ‘campo mítico’ e como criadora vou configurar sua fluidez no espaço cênico e em meu corpo, também liquido, também fluídico, como espaço [território] de passagem: ponte, correnteza, margem, sustentação, tormenta. turvar, arrancar, parar, germinar.

Tal como a água preenche espaços, limpa, ameniza, perturba, devolve, alimenta, quero perfazer seu fazer em mim.

Não como sereia ou elemental. Não como entidade Iemanjá, mas como ser atravessado por estes seres, constituído com tais referências, com tais mitos em mim. Como em um canto d’água que me convida, me atrai para a margem, me puxa para o fundo, me invade de substância primordial e me liga com todas as ancestrais que estiveram neste lugar e permanecem como substância componente, uma vez que ali mergulharam.

Neste momento estou passando pela mata densa, ainda não sei o momento que chegarei a margem.

Visualizo cada espaço, mas há o inesperado. Sempre a fluidez.

CPF 268.205.818-31. Das águas agora.

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